Em São João de Meriti, a presença de solos sedimentares da Baixada Fluminense — com intercalações de argilas moles e lentes de areia fina — torna o ensaio de permeabilidade in situ uma etapa incontornável antes de qualquer obra que interfira no lençol freático. Já acompanhamos projetos na região central onde a variação do coeficiente de permeabilidade em menos de 3 metros de profundidade obrigou a rever completamente o sistema de drenagem. O ensaio Lefranc, executado em furos de sondagem com carga constante ou variável, fornece o valor de k diretamente no maciço, sem os efeitos de amolgamento que comprometem as amostras indeformadas. Em maciços rochosos fraturados — menos comuns no município, mas presentes em elevações residuais — aplicamos o ensaio Lugeon para quantificar a condutividade hidráulica das descontinuidades. Complementamos a investigação com o ensaio CPT quando o perfil exibe camadas de areia siltosa que demandam correlação entre resistência de ponta e condutividade hidráulica.
Um único ensaio Lefranc bem executado fornece mais informação sobre a condutividade hidráulica real do que dez amostras indeformadas ensaiadas em laboratório — especialmente nos solos heterogêneos da Baixada.
Escopo do trabalho em São João de Meriti

Demonstration video
Condições geotécnicas locais em São João de Meriti
Um edifício comercial de 8 pavimentos na Avenida Automóvel Clube, em Vilar dos Teles, enfrentou recalques diferenciais severos porque o projeto de drenagem assumiu um k de 10⁻⁵ cm/s baseado em tabelas de literatura, enquanto o ensaio Lefranc posterior revelou valores de 10⁻³ cm/s nas lentes arenosas a 4 metros de profundidade. O rebaixamento subdimensionado não conseguiu manter a cava seca, as bombas operaram em regime de cavitação e a laje de fundo foi concretada sobre solo saturado, gerando patologias na estrutura antes mesmo da entrega. Em São João de Meriti, onde o Rio Meriti e seus afluentes colmatados mantêm o aquífero freático pressionado em grande parte do ano, ignorar a variabilidade espacial da permeabilidade é aceitar um passivo geotécnico certo. Nosso laboratório acreditado realiza no mínimo três ensaios por campanha, distribuídos em profundidades que cruzam as unidades hidroestratigráficas mapeadas na sondagem de referência.
Nossos serviços
Além do ensaio de permeabilidade in situ, oferecemos serviços complementares que integram a investigação geotécnica e o projeto executivo para as condições de subsolo de São João de Meriti.
Monitoramento de rebaixamento com piezômetros Casagrande
Instalamos piezômetros de tubo aberto em furos executados durante a campanha de Lefranc, permitindo o acompanhamento da evolução do nível freático durante a obra. Leituras manuais ou com transdutor de pressão, correlacionadas com a vazão de bombeamento, ajustam o modelo hidrogeológico em tempo real.
Projeto de sistema de rebaixamento temporário
A partir dos valores de k obtidos nos ensaios Lefranc, dimensionamos ponteiras filtrantes, anéis drenantes ou poços profundos conforme a geometria da cava. Aplicamos a equação de Dupuit-Thiem modificada para aquífero livre com correção de Jacob, considerando o raio de influência real medido e não estimado.
Dúvidas comuns
Qual a diferença prática entre o ensaio Lefranc e o ensaio Lugeon para uma obra em São João de Meriti?
O ensaio Lefranc é executado em solos ou rochas brandas e mede a permeabilidade do maciço por meio de um furo revestido com trecho filtrante, usando carga constante (para k > 10⁻⁴ cm/s) ou variável (para k < 10⁻⁴ cm/s). Em São João de Meriti, 95% dos casos exigem Lefranc, pois o município assenta sobre sedimentos quaternários da Baixada Fluminense. O ensaio Lugeon aplica-se a maciços rochosos fraturados, injetando água sob pressão em trechos isolados por obturador pneumático, e é usado apenas quando a sondagem atinge o embasamento rochoso, que na região aflora pontualmente em cotas superiores a 40 metros. O parâmetro Lugeon (UL) expressa a condutividade em litros por metro por minuto a 10 bar de pressão, e valores acima de 5 UL indicam necessidade de tratamento por injeção de calda de cimento.
Quanto custa um ensaio de permeabilidade Lefranc em São João de Meriti?
O investimento para um ensaio Lefranc completo em São João de Meriti situa-se entre R$1.280 e R$2.700 por trecho ensaiado, dependendo da profundidade, do diâmetro do furo e da quantidade de trechos na mesma campanha. Esse valor inclui a mobilização da equipe, a execução do furo com revestimento, a instalação do trecho filtrante, o ensaio propriamente dito com registro contínuo de vazão e nível, e o relatório técnico com a memória de cálculo do coeficiente k segundo a formulação de Hvorslev. Campanhas com mais de três trechos têm redução no custo unitário pela diluição da mobilização.
Em que fase do projeto devo solicitar o ensaio de permeabilidade in situ?
O ensaio deve ser programado durante a campanha de sondagens de reconhecimento, idealmente após a execução do furo SPT que definirá as profundidades de interesse. Em São João de Meriti, recomendamos posicionar os trechos de Lefranc imediatamente abaixo do nível freático e nas transições entre camadas de argila orgânica e areia fina — zonas onde a condutividade hidráulica muda em até duas ordens de grandeza. A programação antecipada evita a remobilização da sonda apenas para o ensaio, reduzindo custos e prazos. Para obras de médio porte, o cronograma típico prevê 2 dias de campo para uma campanha com três trechos de ensaio, mais 5 dias úteis para entrega do relatório interpretativo.